quarta-feira, 20 de maio de 2009

Tempo e Trabalho

E lá vamos nós indo... de cá para lá, de lá para cá, para cima e para baixo, de uma lado para o outro, sem tempo para nada.
Pois é, com o fim do ano lectivo a aproximar-se o tempo escoa-se por entre as nossas mãos tal como água, sem que nada consigamos fazer para o conseguir parar (e bem que queríamos). Que fazer? Correr à mesma velocidade ou, pelo menos, tentar acompanhar com ligeiros atrasos.
Mas por muito que tenhamos para fazer havemos de conseguir resolver tudo até ao "tempo limite". Passemos agora a outros assuntos!

Visitámos, finalmente, mais um lar da nossa lista (muito curta, para dizer a verdade, uma vez que era uma lista com dois nomes... não há tempo para mais e a disponibilidade também falta).
Este lar "Casa dos Olivais" tal como o nome indica, localiza-se nos Olivais... como fica pertinho fomos a pé. Chegámos e a impressão inicial foi muito diferente da que tivéramos com o lar anterior, principalmente no que toca às instalações.
O lar que é, no fundo, uma vivenda não podia ser mais diferente da "Colmeia dos Mestres". Pelas informações que recolhemos, ja tem a sua idade, fazendo companhia aos seus inquilinos neste ponto (afinal de contas... há que ser solidario).
Neste momento acolhe 15 idosos com os mais variados problemas e muitos dos quais estão acamados. Os empregados foram simpáticos e responderam, sem problemas, às nossas perguntas - que mais tarde, tal como no caso do outro lar foram utilizadas na elaboração de um pequeno relatório/crítica para ser apresentado na aula.

Por fim, é de referir que conseguimos a nossa segunda visita à "Colmei dos Mestres", onde falámos com alguns idosos sobre o seu dia-a-dia e sobre a sua família, no fundo passamos algum tempo com eles a ouvi-los e a partilhar uma pequena parte da nossa vida com eles.



Vemos-nos por aí =D

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Visita aos Mestres

Muito bem... chegamos sãos e salvos ao lar Colmeia dos Mestres! (suspiros de alivio)
Este desabafo pode parecer estranho, mas tem razão de ser... e o problema não foi e dar com o lar - esse era facil de encontrar! Não o problema foi sairmos da estação do oriente.
Esperámos, esperámos e ao fim de uma grande espera conseguimos finalmente pôr-nos a caminho.
Fomos bem recebidos e todos os empregamos que encontramos, no decorrer da nossa visita às instalações, foram simpáticos. Durante a visita fomos pondo algumas questões para mais tarde podermos elaborar um pequeno relatório/critica, para dar a conhecer o lar neste blog.
Falámos na hipótese de uma segunda visita, na qual gostariamos de falar com alguns idosos sobre as suas vidas no lar. Como o lar é recente - festeja este ano o seu 1º aniversário - ainda não vivem nas instalações muitos idosos e a maioria tem algum tipo de doença que os torna dependentes, mas parece que conseguiremos esta segunda visita.

Até à próxima! =)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Com os idosos...

Neste período, como planeado, vamos centrar os nossos esforços para ajudar os idosos. De momento já contactámos alguns lares para combinarmos uma visita e acabámos por escolher os lares:

CASA DOS OLIVAIS:

Actividade: Lares p/ 3ª Idade

Informação: A Casa dos Olivais presta um conjunto de cuidados
diferenciados com internamento prolongado ou temporário
que permite ao doente ter uma continuidade dos cuidados
hospitalares, em situações pós-agudas e/ou crónicas,
possibilitando desta forma uma melhor recuperação ou só uma
uma estabilização do seu estado de saúde, dispondo ainda
de tratamentos de fisioterapia. A Casa dos Olivais oferece
um serviço especial na área dos cuidados paliativos a
doentes com patologias permanentes ou terminais. A Casa dos
Olivais tem a particularidade de ter um ambiente familiar e
situar-se numa zona de Lisboa bastante calma mas também
de muito fácil acesso.

Serviços: Alzheimer •Assistência de enfermagem diária •Assistência médica •Auxiliares de acção médica permanente •Cuidados Continuados •Cuidados diferenciados a doentes acamado •Cuidados diferenciados a semi-acamados •Cuidados geriátricos prolongados •Cuidados geriátricos temporários •Cuidados paliativos •Doentes terminais •Fisioterapia •Gestão de receitas de medicação •Medicina física e reabilitação •Pós-AVC •Recuperação pós-hospitalar •Serviço acompanhamento deslocações •Serviço social •Terapia ocupacional



COLMEIA DOS MESTRES:

A Colmeia dos Mestres é um complexo residencial, pertencente à Cooperativa de Construção Colmeia, procurando satisfazer uma necessidade dos seus cooperadores com mais de 65 anos que procurem comodidade, segurança e autonomia, bem como a existência de apoio ao nível de cuidados de saúde.
É constituído por 23 unidades habitacionais. Dispõe ainda de salas de estar, de jantar, e de jogos, biblioteca, jardins exteriores. Os cooperadores residentes beneficiarão de vários serviços de apoio, tais como restauração, limpeza, lavandaria, recepção, segurança, bem como serviços médicos e de enfermagem.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Cabaz de Páscoa


Foi no passado dia 5 de Março que participámos à escola, através da exposição de cartazes, o início da campanha de recolha de roupas para os sem-abrigo bem como o sorteio para o Cabaz de Páscoa.

Posteriormente, no dia 25 de Março, na aula de Área de Projecto, deu-se a realização do sorteio,por meio de rifas que foram vendidas até à data.A Srª. Dina Oliveira foi a vencedora.

O dinheiro angariado irá reverter para a Associação Sol.

Venda de narizes: Associação Nariz Vermelho


Que semana melhor para angariar fundos que a das Nemesianas, a melhor semana do ano ;)

Pois é, de 16 a 20 de Fevereiro montámos uma "banquinha" para vendermos os nossos narizes, se bem que vendemos também alguns narizes fora da escola e fora desta semana.Felizmente correu tudo bem e acabámos por recolher uma boa quantia de dinheiro, que servirá de ajuda à associação Nariz Vermelho.
Devido ao nosso calendário atarefado,só conseguimos entregar o dinheiro na passada 5ª feira (23 de Abril) mas é com satisfação que dizemos:

Mais uma missão cumprida :D

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Conferência com o Banco de Voluntariado

No dia 12/02/2009, veio à escola um grupo do Banco de Voluntariado, constituido por três representantes da associação e dois voluntarios, que se dispuseram a vir falar perante um dificil público de adolescentes.
Lamentamos, mas não nos foi premitido tirar fotos, logo poderemos apenas descrever o que se passou.

Começaram por nos falar sobre a instituição, as suas "regras" e o trabalho que têm vindo a realizar ao longo dos anos. Mostraram-nos gráficos que descreviam o número de pessoas que recorriam a esta instituição, para ajudar,dividindo-os por sexo, idade, hablitações...
Falaram-nos nos deveres e direitos do voluntário e as instituições com quem trabalham.
Depois falaram os voluntários (um jovem e um senhor de mais idade), que nos relataram as suas experiências, das razões que os levaram a fazer voluntariado e também do que sentem ao ajudar. Relataram-nos experiencias que os marcaram e mostraram-nos o desejo de continuar a ajudar.

Tentaremos mais tarde postar neste blog os diapositivos que nos foram apresentados durante a conferência.

Já passou um tempinho ahn?

Temos muito que contar!
Neste tempinho em que temos estado ausentes já realizámos mais uma conferência,angariámos fundos para a Associação Nariz Vermelho, assim como para dar uma mãozinha aos menos afortunados. Também fizemos mais uma recolha de roupas e estamos agora a prepararmo-nos para irmos visitar lares e descobrir as dificuldades por que os idosos passam.
Temos muito para contar e pouco tempo disponível para o fazer, por issso seremos breves... ou talvez não.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Entrevista com uma voluntária (Pingo Doce Duque D'Ávila)

Entrevistador – E1
Dina Oliveira – D.O.



E1 – Há quanto tempo pratica voluntariado?
D.O. – Faz exactamente oito meses, desde que entrei para este trabalho. É uma casa para mães adolescente e solteiras… e fazemos muitas vezes este tipo de voluntariado (recolha de produtos). Oferecemos um dia de folga para virmos aqui fazer voluntariado.

E1 – Porque decidiu praticar voluntariado?
D.O. – Para ajudar o próximo e também por nós… acho que cada vez que ajudamos, isso faz de nós pessoas melhores.

E1 – E já fez voluntariado através de outras instituições sem ser o Banco de Voluntariado?
D.O. – No Brasil (eu não sou de Portugal) fazia voluntariado em creches, fazia voluntariado naquilo que aqui se chama bairro social. Fazia voluntariado com uma associação que cuidava das pessoas (banhos, comida, tratar do cabelo, etc). Gostava muito.

E1 – Que tipo de voluntariado já fez?
D.O. – Já fiz voluntariado em recolhas, em hospitais e acções sociais (tudo desde ajudar a dar banhos a fazer manicura) e também trabalhei com crianças.

E1 – E qual foi a experiência que mais a marcou?
D.O. – Foi o voluntariado hospitalar. Estar ali ao lado para apoiar, para conversar, estar presente quando a família não está... porque nem sempre as famílias apoiam, por causa de algumas e determinadas doenças, muitas das famílias acabam por abandonar o doente. E a pessoa sente falta, falta de apoio e carinho… e todos precisamos muito desse tipo de apoio.

E1 – Quais as dificuldades que encontrou relativamente à pratica de voluntariado?
D.O. – Muitas das pessoas são pouco “sensíveis” em relação ao voluntariado. Talvez se fosse uma coisa obrigatória, as pessoas participassem. Mas muitas pessoas são ainda resistentes a serem participativas, a ajudarem, a direccionarem os seus esforços a algo que seja melhor, porque acabam por deixar tudo para o governo. Nem sempre isso acontece, o governo ajuda algumas instituições, mas isto não é a prioridade do estado. Para ajudar há ainda as IPSS’s (instituição particular de solidariedade social), como é o caso da instituição para a qual estou agora a fazer voluntariado.

E1 – O que sente a ajudar os outros?
D.O. – É como se me estivesse a ajudar a mim mesma, quer dizer amanhã até posso ser eu a precisar de ajuda. Mas é uma satisfação muito grande, principalmente quando se conhece bem a causa (Porque é que está a ajudar? Quem está a ajudar?), penso que é fundamental. No meu caso, como trabalho na instituição (sou monitora), cada vez que alguém ajuda é muito gratificante… porque sei que as meninas vão ter o que comer e como se cuidar. É muito triste quando as coisas não correm bem, quando estamos aqui, mas não estamos a receber muitas “coisas”, porque apoiamo-nos na ajuda que nos dão: dependemos desta recolhas para conseguirmos produtos alimentares e higiénicos entre outros. Temos também o apoio de alguns sócios, que dão uma contribuição mensal de 5 euros. E quando as pessoas não contribuem isso deixa-nos um pouco tristes, dá-nos uma “dorzinha no peito”. Ficamos sempre muitos felizes com a ajuda.

E1 – O que é que mais a motiva para continuar?
D.O. – Cada “não”… cada “não” que recebo é uma motivação e a cada “não” eu sei que vou estar mais perto do “sim” (risos). O “não” já esta garantido e cada sim vem como uma felicidade. Então, cada vez que ouço um “não” tenho que continuar… que mais posso fazer? As pessoas precisam.

E1 – O que mais a revolta ao ver as dificuldades porque as pessoas passam?
D.O. – É ver as diferenças entre… classes, digamos assim. Porque uns têm muito e outros não têm nada. Isso cria um pouco de revolta, porque não há igualdade para todos. Não é? Na verdade não existe igualdade para todos, muitas pessoas procuram outros meios de sobrevivência.

E1 – Como é que o voluntariado mudou a sua perspectiva de vida?
D.O. – Fez-me crescer, ficar mais madura, mudou-me também por um lado espiritual… mudou-me como pessoa e mudou a forma como olho o mundo. Eu tenho que acreditar na causa, porque se não acreditar as coisas não acontecem. As coisas só acontecem quando acreditamos que somos capazes, que o vamos conseguir fazer, e quando acreditamos na vida, presente, daqueles que estamos a ajudar. Se eu não acreditar que vou fazer a diferença as coisas nunca vão mudar. No meu caso ajudo adolescentes, o que por vezes é pior e, sendo elas mães, às vezes olhamos e parece que são crianças a cuidarem de crianças… temos que acreditar que as coisas vão melhorar para elas.

E1 – Obrigada pela sua participação.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Uma Causa Mil Sorrisos (artigo para o jornal da Escola Secundária Vitorino Nemésio)

Uma Causa Mil Sorrisos

Tudo começou no início do ano lectivo de 2008/2009. No dia 25 de Setembro cinco jovens – Diogo Rodrigues, Inês Marques, João Romero, Magda Costa e Sofia Serra – juntaram-se para trabalhar o tema do “Voluntariado”, cujo nome viria a modificar-se para “Uma Causa Mil Sorrisos”. Estava dado o primeiro passo!
Este trabalho pretende sensibilizar as pessoas no sentido de haver uma maior adesão ao trabalho de voluntariado e dar a conhecer à sociedade a forma como as dificuldades afectam cada geração, através do trabalho de acção social. Queriam dar a conhecer o que realmente significa ser-se voluntário.
Deitaram “mãos à obra” e esboçaram um plano que os orientaria ao longo do ano. No primeiro período iriam tratar do voluntariado com crianças, no segundo período iriam tratar da exclusão social para com indivíduos adultos e no terceiro período iriam tratar do “abandono” de idosos. No entanto o trabalho que iriam realizar mostrou-se diferente daquilo que haviam imaginado: os problemas surgiram!
Começaram a pensar que instituições haviam de contactar para os ajudar na sua “demanda” e de imediato vários nomes lhes vieram à cabeça: a Casa Sol, a Casa Pia, a Casa do Gil, o Nariz Vermelho, a Comunidade de Vida e Paz, o Banco Alimentar (2º período), contactaram também o Hospital de Stª. Maria… apenas algumas se dispuseram a contribuir.
De todas as instituições só a Casa Sol aceitou os brinquedos, roupas e livros que o grupo havia recolhido numa campanha e o Nariz Vermelho veio à escola fazer uma conferência... Mas ainda não era o suficiente!
A conselho de um amigo contactaram o Banco de Voluntariado – instituição que promove a prática de voluntariado. Esta instituição mostrou-se disponível e deu um grande apoio. Encontrou actividades que ajudariam em todos os aspectos do trabalho e aceitou também realizar uma conferência.
O grupo está ainda a sortear um Cabaz de Páscoa e a fazer outra recolha, desta vez apenas de vestuário, para ajudar as pessoas que necessitam da nossa ajuda.
Ao longo do trabalho que já foi realizado o nosso grupo encontrou vários obstáculos – dificuldades em contactar instituições, em dividirmos o trabalho que iríamos realizar ao longo do ano, dificuldades em conciliarmos o tempo que iríamos despender com este trabalho, com as aulas e outras actividades.
Vale a pena o esforço por mil sorrisos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sem-abrigo

Eles são como nos… vivem, respiram, amam, odeiam, choraram e tentam da melhor forma que podem, chegar ao dia seguinte.
Ao contrário de nós, não tem casa ou qualquer outro local onde possam viver, com o mínimo de condições, não têm dinheiro e é-lhes difícil arranjar que comer. São homens e mulheres, de crianças a idosos negligenciados, desprezados, descriminados e culpabilizados por muitos dos males da nossa sociedade. Eles são o sem-abrigo!
Ao passarmos por eles, ao olharmos para eles sentimo-nos superiores, sentimos piedade.
Descartamos essa culpa arranjando desculpas como: “Não se escorçam e agora andam a mendigar”, ou “Se querem dinheiro, porque não trabalham”, “Se estão nesta situação, é porque fizeram algo para o merecer” e “Andam todo o dia a mandriar e agora vêm pedir”… mas verdade seja dita, nenhum de nós sabe como chegaram estas pessoas às ruas, a uma situação tão desesperada. Em casos o que pensamos pode até ser realidade, mas poderemos realmente julgar? Estaremos na posição para julgar? Todos temos os nossos problemas e vivemos como podemos.
Podemos também ultrapassar a culpa dando-lhes um moeda, que para mais não serve do que para um café, e depois afastamo-nos tentando apagar a memoria amarga do acontecimento, seguimos em frente sem um segundo pensamento em relação às dificuldades que estas encontraram a seguir. Porque reconhecemos algo de nós nesta pessoas, porque vimos no que nos poderíamos tornar numa situação diferente… por estas razões agimos como agimos.
Este ano, no âmbito de Área de Projecto o nosso grupo decidiu fazer um trabalho sobre voluntariado. No 2º período deste ano, centramos os nossos esforços a trabalhar para ajudar estas pessoas, os sem-abrigo. Ao longo do período desenvolvemos uma campanha de recolha de roupas, para mais tarde doar a uma instituição que trabalha com os sem-abrigo. Ficámos felizes com os resultados, uma vez que conseguimos recolher uma grande quantidade de roupas em condições para doar e porque as pessoas contribuíram, demonstrando que nem todos ignoram estas pessoas em dificuldades.
Realizámos também trabalho de voluntariado, como por exemplo ao ajudarmos num dos eventos da associação Pão de Todos para Todos entre outras acções de solidariedade.

















quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Entrevista com Isabel Maria Leão (voluntária no Banco de Voluntariado) realizada no dia 27 de Novembro de 2008

Entrevistador – E1
Entrevistado – Isabel Maria Leão (I.M.L)

E1 – Há quantos anos pratica voluntariado?
I.M.L. – Há cerca de dois anos.

E1 – Qual a razão que a levou a praticar voluntariado?
I.M.L. – Reformaram-me demasiado cedo. Com a minha idade e reformada senti que ainda podia fazer muito, senti-me ainda com muita energia para trabalhar e produzir algo. Inicialmente fui trabalhar com o meu irmão, após cerca de quatro anos decidi “partir para outra”: o voluntariado. Tenho muita pena de não ter começado há mais tempo.

E1 – Já fez voluntariado através de outras instituições, sem ser o Banco de voluntariado?
I.M.L. – Essencialmente tenho trabalhado através do Banco de Voluntariado, mas faço voluntariado também na maternidade Alfredo da Costa. Para além destas acções que vocês vêem, tenho um trabalho nas urgências do Hospital Stª. Maria, às quintas-feiras. Tenho também um outro trabalho muito interessante, com jovens entre os 7 e os 14 anos, num lar de segurança social, onde durante os tempos livres passo duas tardes da semana com eles. É uma experiência muito engraçada e interessante, penso que tanto para mim como para eles.

E1 – Que tipo de voluntariado já realizou?
I.M.L. – Foi essencialmente aquilo que acabei de dizer. O voluntariado tem sido, praticamente dedicação às outras pessoas. O voluntario é aquele individuo que se dedica esperando só, no fim de contas, que se sinta psicologicamente recompensado…o voluntariado não é pago, não cobra pelo seu serviço e dá o seu tempo e o seu esforço em prol dos outros. É isso que nós fazemos.

E1 – Qual foi a experiência que mais a marcou e quais a dificuldades que encontrou na prática de voluntariado?
I.M.L. – Penso que me têm marcado todas. Mas gosto muito do voluntariado no Hospital de St.ª. Maria, é uma experiência…um bocadinho dura. Nós nem sempre enfrentamos as melhores situações, como por exemplo as urgências. Vemos todo o tipo de situações: um mendigo que é “apanhado” da rua, acidentes que ocorrem em casa no seio familiar, acidentes de trabalho, de desporto, de viação ou mesmo complicações de saúde, são coisas muito diversas, mas todas estas passam pelas urgências.
Uma das coisas para o qual precisei de algum tempo para me acostumar foi o contacto com as pessoas idosas. É algo espantoso, porque as pessoas chegam lá, nós às vezes não temos noção, cruzamo-nos com elas… por vezes vamos visitar um familiar, um tio, uma avó ou um pai, mas são sempre os nossos pais, os nossos avós, a nossa família… e nós ali apercebemo-nos muito dos problemas sociais que existem e isso é aquilo com que, alguns de nós, nos confrontamos mais directamente: a solidão, o isolamento em que as pessoas estão, o não ter alguém que dê apoio, que ajude a tratar, que faça uma sopa, que faça companhia. E às vezes não são só idosos, também se encontram pessoas, talvez por volta dos seus 50, que não têm ninguém que as acompanhe.
Enquanto que uma criança tem sempre alguém que a acompanhe (a não ser que esteja nalguma instituição), um idoso muitas vezes não tem ninguém, ocorre um acidente e é um vizinho que chama a ambulância e essa pessoa acaba por vir sozinha para o hospital. E, por vezes, quando passamos, agarram o nosso braço e dizem “ Minha senhora o que é que vai ser de mim? Agora mandam-me para casa… e quem é que me ajuda?”… e isto dá que pensar, são situações complicadas pelas quais, às vezes, passamos ao lado e não ligamos.
Mas é muito bom que nós, e vocês que são jovens, comecem a interessar-se por tais problemas.

E1 – E o que sente ao ajudar os outros?
I.M.L. – Aquilo que sinto ao ajudar os outros é uma compensação espectacular… espectacular psicologicamente, porque às vezes olho para trás – também não posso ver isto radicalmente – e pergunto-me “O que é que andei a fazer durante 30 e tal anos em que trabalhei e em que podia fazer outras coisas muito mais enriquecedoras?”… e esta foi uma perspectiva diferente que o voluntariado me deu da sociedade. Não é necessário ser-se voluntário para ajudar a causas sociais, depende apenas da consciência que desenvolvemos em relação a certos problemas, esta consciencialização ajuda-nos a tomar decisões na nossa vida muito mais válidas e com maior peso.
Não se dissociem das causas comuns, das dificuldades desde saúde a económicas e de outros problemas, pois confrontaremos estes problemas ao longo da nossa vida e no dia-a-dia, e a nossa consciência em relação a eles é muito importante.

E1 – O que mais a motiva para continuar?
I.M.L. – Tudo, incluindo vocês, jovens voluntários, que me dão uma esperança imensa de que isto venha a ter alguma continuidade. Quando vejo jovens a tratar destes problemas, a falar sobre estes problemas e entusiasmados com o voluntariado acho isso óptimo e sinto-me muito bem. O mais pequeno gesto tem importância e são estes pequenos gestos que vão fazendo perpetuar o voluntariado.

E1 – O que mais a revolta ao ver as dificuldades porque as pessoas passam?
I.M.L. – O que mais me revolta é ver a forma como a sociedade encara e lida com estes problemas. E isso tem a haver, como já tinha dito, com a consciencialização das pessoas.

E1 – Como é que o voluntariado mudou a sua perspectiva de vida.
I.M.L. – Mudou completamente… eu até deixei, um pouco, as minha tarefas domésticas e familiares para trás… mas também lá em casa já está tudo crescido (risos)… Começamos a organizar a vida de forma diferente em casa entre outras coisas.
E1 – Agradecemos por ter participado na nossa entrevista. Muito obrigada.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Conferência 27/11/08

Na conferência, apresentada pela Coordenadora da Associação Nariz Vermelho Rute Moreira, falou-se sobre o trabalho realizado pelos "doutores palhaços" (voluntários desta Associação).