Entrevistador – E1
Dina Oliveira – D.O.
E1 – Há quanto tempo pratica voluntariado?
D.O. – Faz exactamente oito meses, desde que entrei para este trabalho. É uma casa para mães adolescente e solteiras… e fazemos muitas vezes este tipo de voluntariado (recolha de produtos). Oferecemos um dia de folga para virmos aqui fazer voluntariado.
E1 – Porque decidiu praticar voluntariado?
D.O. – Para ajudar o próximo e também por nós… acho que cada vez que ajudamos, isso faz de nós pessoas melhores.
E1 – E já fez voluntariado através de outras instituições sem ser o Banco de Voluntariado?
D.O. – No Brasil (eu não sou de Portugal) fazia voluntariado em creches, fazia voluntariado naquilo que aqui se chama bairro social. Fazia voluntariado com uma associação que cuidava das pessoas (banhos, comida, tratar do cabelo, etc). Gostava muito.
E1 – Que tipo de voluntariado já fez?
D.O. – Já fiz voluntariado em recolhas, em hospitais e acções sociais (tudo desde ajudar a dar banhos a fazer manicura) e também trabalhei com crianças.
E1 – E qual foi a experiência que mais a marcou?
D.O. – Foi o voluntariado hospitalar. Estar ali ao lado para apoiar, para conversar, estar presente quando a família não está... porque nem sempre as famílias apoiam, por causa de algumas e determinadas doenças, muitas das famílias acabam por abandonar o doente. E a pessoa sente falta, falta de apoio e carinho… e todos precisamos muito desse tipo de apoio.
E1 – Quais as dificuldades que encontrou relativamente à pratica de voluntariado?
D.O. – Muitas das pessoas são pouco “sensíveis” em relação ao voluntariado. Talvez se fosse uma coisa obrigatória, as pessoas participassem. Mas muitas pessoas são ainda resistentes a serem participativas, a ajudarem, a direccionarem os seus esforços a algo que seja melhor, porque acabam por deixar tudo para o governo. Nem sempre isso acontece, o governo ajuda algumas instituições, mas isto não é a prioridade do estado. Para ajudar há ainda as IPSS’s (instituição particular de solidariedade social), como é o caso da instituição para a qual estou agora a fazer voluntariado.
E1 – O que sente a ajudar os outros?
D.O. – É como se me estivesse a ajudar a mim mesma, quer dizer amanhã até posso ser eu a precisar de ajuda. Mas é uma satisfação muito grande, principalmente quando se conhece bem a causa (Porque é que está a ajudar? Quem está a ajudar?), penso que é fundamental. No meu caso, como trabalho na instituição (sou monitora), cada vez que alguém ajuda é muito gratificante… porque sei que as meninas vão ter o que comer e como se cuidar. É muito triste quando as coisas não correm bem, quando estamos aqui, mas não estamos a receber muitas “coisas”, porque apoiamo-nos na ajuda que nos dão: dependemos desta recolhas para conseguirmos produtos alimentares e higiénicos entre outros. Temos também o apoio de alguns sócios, que dão uma contribuição mensal de 5 euros. E quando as pessoas não contribuem isso deixa-nos um pouco tristes, dá-nos uma “dorzinha no peito”. Ficamos sempre muitos felizes com a ajuda.
E1 – O que é que mais a motiva para continuar?
D.O. – Cada “não”… cada “não” que recebo é uma motivação e a cada “não” eu sei que vou estar mais perto do “sim” (risos). O “não” já esta garantido e cada sim vem como uma felicidade. Então, cada vez que ouço um “não” tenho que continuar… que mais posso fazer? As pessoas precisam.
E1 – O que mais a revolta ao ver as dificuldades porque as pessoas passam?
D.O. – É ver as diferenças entre… classes, digamos assim. Porque uns têm muito e outros não têm nada. Isso cria um pouco de revolta, porque não há igualdade para todos. Não é? Na verdade não existe igualdade para todos, muitas pessoas procuram outros meios de sobrevivência.
E1 – Como é que o voluntariado mudou a sua perspectiva de vida?
D.O. – Fez-me crescer, ficar mais madura, mudou-me também por um lado espiritual… mudou-me como pessoa e mudou a forma como olho o mundo. Eu tenho que acreditar na causa, porque se não acreditar as coisas não acontecem. As coisas só acontecem quando acreditamos que somos capazes, que o vamos conseguir fazer, e quando acreditamos na vida, presente, daqueles que estamos a ajudar. Se eu não acreditar que vou fazer a diferença as coisas nunca vão mudar. No meu caso ajudo adolescentes, o que por vezes é pior e, sendo elas mães, às vezes olhamos e parece que são crianças a cuidarem de crianças… temos que acreditar que as coisas vão melhorar para elas.
E1 – Obrigada pela sua participação.
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