quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Entrevista com Isabel Maria Leão (voluntária no Banco de Voluntariado) realizada no dia 27 de Novembro de 2008

Entrevistador – E1
Entrevistado – Isabel Maria Leão (I.M.L)

E1 – Há quantos anos pratica voluntariado?
I.M.L. – Há cerca de dois anos.

E1 – Qual a razão que a levou a praticar voluntariado?
I.M.L. – Reformaram-me demasiado cedo. Com a minha idade e reformada senti que ainda podia fazer muito, senti-me ainda com muita energia para trabalhar e produzir algo. Inicialmente fui trabalhar com o meu irmão, após cerca de quatro anos decidi “partir para outra”: o voluntariado. Tenho muita pena de não ter começado há mais tempo.

E1 – Já fez voluntariado através de outras instituições, sem ser o Banco de voluntariado?
I.M.L. – Essencialmente tenho trabalhado através do Banco de Voluntariado, mas faço voluntariado também na maternidade Alfredo da Costa. Para além destas acções que vocês vêem, tenho um trabalho nas urgências do Hospital Stª. Maria, às quintas-feiras. Tenho também um outro trabalho muito interessante, com jovens entre os 7 e os 14 anos, num lar de segurança social, onde durante os tempos livres passo duas tardes da semana com eles. É uma experiência muito engraçada e interessante, penso que tanto para mim como para eles.

E1 – Que tipo de voluntariado já realizou?
I.M.L. – Foi essencialmente aquilo que acabei de dizer. O voluntariado tem sido, praticamente dedicação às outras pessoas. O voluntario é aquele individuo que se dedica esperando só, no fim de contas, que se sinta psicologicamente recompensado…o voluntariado não é pago, não cobra pelo seu serviço e dá o seu tempo e o seu esforço em prol dos outros. É isso que nós fazemos.

E1 – Qual foi a experiência que mais a marcou e quais a dificuldades que encontrou na prática de voluntariado?
I.M.L. – Penso que me têm marcado todas. Mas gosto muito do voluntariado no Hospital de St.ª. Maria, é uma experiência…um bocadinho dura. Nós nem sempre enfrentamos as melhores situações, como por exemplo as urgências. Vemos todo o tipo de situações: um mendigo que é “apanhado” da rua, acidentes que ocorrem em casa no seio familiar, acidentes de trabalho, de desporto, de viação ou mesmo complicações de saúde, são coisas muito diversas, mas todas estas passam pelas urgências.
Uma das coisas para o qual precisei de algum tempo para me acostumar foi o contacto com as pessoas idosas. É algo espantoso, porque as pessoas chegam lá, nós às vezes não temos noção, cruzamo-nos com elas… por vezes vamos visitar um familiar, um tio, uma avó ou um pai, mas são sempre os nossos pais, os nossos avós, a nossa família… e nós ali apercebemo-nos muito dos problemas sociais que existem e isso é aquilo com que, alguns de nós, nos confrontamos mais directamente: a solidão, o isolamento em que as pessoas estão, o não ter alguém que dê apoio, que ajude a tratar, que faça uma sopa, que faça companhia. E às vezes não são só idosos, também se encontram pessoas, talvez por volta dos seus 50, que não têm ninguém que as acompanhe.
Enquanto que uma criança tem sempre alguém que a acompanhe (a não ser que esteja nalguma instituição), um idoso muitas vezes não tem ninguém, ocorre um acidente e é um vizinho que chama a ambulância e essa pessoa acaba por vir sozinha para o hospital. E, por vezes, quando passamos, agarram o nosso braço e dizem “ Minha senhora o que é que vai ser de mim? Agora mandam-me para casa… e quem é que me ajuda?”… e isto dá que pensar, são situações complicadas pelas quais, às vezes, passamos ao lado e não ligamos.
Mas é muito bom que nós, e vocês que são jovens, comecem a interessar-se por tais problemas.

E1 – E o que sente ao ajudar os outros?
I.M.L. – Aquilo que sinto ao ajudar os outros é uma compensação espectacular… espectacular psicologicamente, porque às vezes olho para trás – também não posso ver isto radicalmente – e pergunto-me “O que é que andei a fazer durante 30 e tal anos em que trabalhei e em que podia fazer outras coisas muito mais enriquecedoras?”… e esta foi uma perspectiva diferente que o voluntariado me deu da sociedade. Não é necessário ser-se voluntário para ajudar a causas sociais, depende apenas da consciência que desenvolvemos em relação a certos problemas, esta consciencialização ajuda-nos a tomar decisões na nossa vida muito mais válidas e com maior peso.
Não se dissociem das causas comuns, das dificuldades desde saúde a económicas e de outros problemas, pois confrontaremos estes problemas ao longo da nossa vida e no dia-a-dia, e a nossa consciência em relação a eles é muito importante.

E1 – O que mais a motiva para continuar?
I.M.L. – Tudo, incluindo vocês, jovens voluntários, que me dão uma esperança imensa de que isto venha a ter alguma continuidade. Quando vejo jovens a tratar destes problemas, a falar sobre estes problemas e entusiasmados com o voluntariado acho isso óptimo e sinto-me muito bem. O mais pequeno gesto tem importância e são estes pequenos gestos que vão fazendo perpetuar o voluntariado.

E1 – O que mais a revolta ao ver as dificuldades porque as pessoas passam?
I.M.L. – O que mais me revolta é ver a forma como a sociedade encara e lida com estes problemas. E isso tem a haver, como já tinha dito, com a consciencialização das pessoas.

E1 – Como é que o voluntariado mudou a sua perspectiva de vida.
I.M.L. – Mudou completamente… eu até deixei, um pouco, as minha tarefas domésticas e familiares para trás… mas também lá em casa já está tudo crescido (risos)… Começamos a organizar a vida de forma diferente em casa entre outras coisas.
E1 – Agradecemos por ter participado na nossa entrevista. Muito obrigada.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Conferência 27/11/08

Na conferência, apresentada pela Coordenadora da Associação Nariz Vermelho Rute Moreira, falou-se sobre o trabalho realizado pelos "doutores palhaços" (voluntários desta Associação).